Lebução fica situada em lugar alto e aprazível, na margem esquerda do rio Calvo, entre montanhas onde o tempo guardou riquezas e mistérios. A 25km da sede do concelho, goza de um clima de montanha com invernos frios, verões quentes e de paisagens deslumbrantes.

É uma aldeia tradicionalmente vocacionada para a agricultura (centeio, batata, castanha e vinho) e para o comércio de largas tradições. Em tempos remotos, Lebução, foi o centro das transacções comerciais de uma enorme área circundante, que se efectuavam por troca directa de produtos.

Monumentalmente, a Igreja abraça, do alto das suas torres sineiras, todo o casario disposto em anfiteatro e chama os fiéis à oração. É obra da renascença, de muros altos e bem alinhados, construção de uma só nave. O retábulo do altar-mor, é de apreciável valor artístico, com colunas salomónicas e motivos ornamentais e simbólicos, realçando as arquivoltas que guarnecem a abóbada polícroma da tribuna.O Orago da freguesia é S. Nicolau, mas a principal referência religiosa desta terra é Nossa Senhora dos Remédios, que tem o seu dia no calendário religioso - 8 de Setembro.

Aqui, como em todo o Nordeste de Portugal, usa-se uma linguagem oral, um conjunto de termos e expressões que, pouco a pouco, se vão perdendo com a partida dos mais idosos.

A hospitalidade está presente nas vivências diárias, marcadas por um espírito de partilha e solidariedade. A porta das casas de Lebução está sempre aberta para receber, à boa maneira transmontana, "quem vier por bem".


A ideia deste Blogue, surgiu da necessidade de preservar a identidade desta comunidade, aproximando todos os Lebuçanenses da sua terra natal.

A feira do Folar de Valpaços

sábado, 3 de dezembro de 2016

Pra quê chorar se o sol já vai raiar



Pra que chorar
Se o sol já vai raiar
Se o dia vai amanhecer
Pra que sofrer
Se a lua vai nascer
É só o sol se pôr
Pra que chorar
Se existe amor
A questão é só de dar
A questão é só de dor
Quem não chorou
Quem não se lastimou
Não pode numa mais dizer
Pra que chorar
Pra que sofrer
Se há sempre um novo amor
Em cada novo amanhecer


Vinicius de Moraes




























































quarta-feira, 30 de novembro de 2016

O diospireiro é originário da China embora muito mais popular no Japão



O diospireiro é originário da China embora muito mais popular no Japão. Em Portugal podem ser encontradas duas variedades predominantes: a de cor vermelha e a de cor alaranjada. A primeira é a mais consumida apresentando-se no seu estado maduro como um fruto bastante doce e mole sendo necessário muito cuidado para realizar o seu transporte. Já a segunda variedade é bem mais dura não necessitando de grandes cuidados no manuseamento. Esta também não tem um sabor tão adocicado comparativamente à primeira.

O seu fruto, conhecido como diospiro ou damasco do Japão, tem no seu interior grande quantidade de água e é pouco calórico, mais ao menos 80 calorias em cada 100 gramas. As vitaminas fazem parte da sua composição para além das proteínas, ferro e cálcio.

O seu cultivo é muito fácil, sendo de qualidade nos países de clima temperado como é o caso de Portugal onde é cultivado essencialmente na zona das beiras.
Fonte: Saúde e Nutrição















































terça-feira, 29 de novembro de 2016

Um aceno de paz em cada flor



Fresca manhã da vida, recomeço
Doutros orvalhos onde o sol se molha.
Nova canção de amor e novo preço
Do ridente triunfo que nos olha.

Larga e límpida luz donde se vê
Tudo o que não dormiu e germinou;
Tudo o que até de noite luta e crê
Na força eterna que o semeou.

Um aceno de paz em cada flor;
Um convite de guerra em cada espinho;
E os louros do perfeito vencedor
À espera de quem passa no caminho.

Miguel Torga
















































domingo, 27 de novembro de 2016

E tamanha esperança e uma tão grande paz




CREPÚSCULO DO OUTONO
Manoel Bandeira

O crepúsculo cai, manso como uma benção.
Diz-se-á que o rio chora a prisão de seu leito...
As grandes mãos da sombra evangélicas pensam
As feridas que a vida abriu em cada peito.


O outono amarelece e despoja os lariços.
Um corvo passa e grasna, e deixa esparso no ar
O terror augural de encantos e feitiços.
As flores morrem. Toda a relva entra a murchar.


Os pinheiros porém viçam, e serão breve
Todo o verde que a vista espairecendo vejas,
Mais negros sobre a alvura unânime da neve,
Altos e espirituais como flechas de igrejas.


Um sino plange. A sua voz ritma o murmúrio
Do rio, e isso parece a voz da solidão.
E essa voz enche o vale...o horizonte purpúreo...
Consoladora como um divino perdão.


O sol fundiu a neve. A folhagem vermelha
Reponta. Apenas há, nos barrancos retortos,
Flocos, que a luz do poente extática semelha
A um rebanho infeliz de cordeirinhos mortos.


A sombra casa os sons numa grave harmonia.
E tamanha esperança e uma tão grande paz
Avultam do clarão que cinge a serrania,
Como se houvesse aurora e o mar cantando atrás.

















































sábado, 26 de novembro de 2016

Em casal de Serras arde o castanheiro, lâmpada de pobres a fazer serão



...Em casal de Serras arde o castanheiro
Lâmpada de pobres a fazer serão;
De redor no grande festival braseiro
velhinha, o velho, o lavrador trigueiro,
A mulher, os filhos, o bichano e o cão.

Como não sentir um estranho afecto,
Se lhe dera a trave que sustenta o tecto,
Se lhe dera o berço onde repoisa o neto,
Se lhe dera a tulha onde arrecada o pão!


Fez com ele o jugo e fez com ele o arado;
Fez com ele as portas contra os vendavais;
E com ele é feito o velho leito amado,
Onde se deitara para o seu noivado,
E onde já morreram seus avós, seus pais!


Eis as brasas mortas... Ei-lo já converso
O castanheiro em cinza, o fumo vão, em luz.
Luz e fumo e cinza tudo irá disperso
Reviver na vida eterna do Universo
Círculo de enigmas que ninguém traduz"...

Guerra Junqueiro














































sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Frágil como folha caída no outono




Frágil como folha
 caída no outono,
chora sem nem saber porquê

Sentimentos voam
embrulhados
e confusos.

Certeza em querer,
sem acreditar
na vida 
que viveu, um dia.

Ela voa por aí,
como a ave.
Buscando frutos 

em qualquer lugar.